
O basquete mundial perdeu nesta sexta-feira (17) um de seus maiores nomes. O ex-jogador Oscar Schmidt morreu aos 68 anos, em Santana de Parnaíba, na Grande São Paulo, após passar mal em sua casa. Dono de uma trajetória marcada por recordes, talento e decisões que desafiaram o sistema do esporte internacional, Oscar construiu um legado que atravessa gerações.
Do sonho no futebol à consagração no basquete
Antes de se tornar referência nas quadras, Oscar sonhava em ser jogador de futebol. A altura, no entanto, mudou o rumo da história. Em Brasília, iniciou no Colégio Salesiano, sob orientação do técnico Zezão, e seguiu para o Clube Unidade Vizinhança, onde foi treinado por Laurindo Miura.
Aos 16 anos, em 1974, mudou-se para São Paulo e passou a atuar nas categorias de base do Sociedade Esportiva Palmeiras. O destaque foi imediato, abrindo portas para a seleção brasileira de base e, pouco tempo depois, para a equipe principal.
Ascensão e título mundial com o Sírio
O talento chamou a atenção do técnico Cláudio Mortari, que o levou ao Esporte Clube Sírio. Em 1979, Oscar conquistou o Mundial de Clubes de Basquete, seu primeiro grande título internacional.
No ano seguinte, disputou os Jogos Olímpicos de Moscou 1980, terminando na quinta colocação com a seleção brasileira — início de uma longa relação com os Jogos Olímpicos.
Brilho na Europa e recusa histórica à NBA
No início dos anos 1980, transferiu-se para o JuveCaserta, a pedido do técnico Bogdan Tanjevic. Foram 11 temporadas na liga italiana, então considerada a segunda mais forte do mundo, atrás apenas da NBA.
Após os Jogos Olímpicos de Los Angeles 1984, foi draftado pelo New Jersey Nets, mas recusou o contrato. A decisão foi motivada por regras da FIBA da época, que impediam atletas da NBA de defenderem suas seleções nacionais — escolha que marcaria sua carreira.
Glória com a seleção brasileira
O auge com a camisa do Brasil veio no Jogos Pan-Americanos de 1987, quando liderou a histórica vitória sobre os Estados Unidos na final e conquistou a medalha de ouro.
Pela seleção, Oscar acumulou números impressionantes ao longo de quase duas décadas:
- Cinco participações consecutivas em Olimpíadas
- Mais de 7.600 pontos pela seleção brasileira
- Recordes históricos de pontuação em Jogos Olímpicos
Ele foi cestinha em três edições olímpicas, com destaque para Jogos Olímpicos de Seul 1988, quando marcou 338 pontos, incluindo 55 em uma única partida — marcas que entraram para a história do esporte.
Retorno ao Brasil e despedida nas quadras
Na década de 1990, mesmo com novas propostas da NBA, voltou a recusar convites. Após passagem pelo basquete espanhol, retornou ao Brasil, onde atuou por clubes como Corinthians e encerrou a carreira em 2003, vestindo a camisa do Clube de Regatas do Flamengo.
O “Mão Santa” e seus números eternos
Apelidado de “Mão Santa”, Oscar somou impressionantes 49.737 pontos ao longo da carreira, sendo por muitos anos o maior pontuador da história do basquete mundial. Em 2024, a marca foi superada por LeBron James.
Além disso, é até hoje o maior cestinha da história da seleção brasileira e o único jogador a ultrapassar 1.000 pontos em Olimpíadas.
Reconhecimento mundial
Em 2013, foi eternizado no Naismith Memorial Basketball Hall of Fame, coroando uma carreira construída com talento, disciplina e independência.
Fora das quadras, também ganhou destaque por sua ligação com a comunicação: era irmão do apresentador Tadeu Schmidt e tio do atleta Bruno Schmidt.
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