Jovem planeja crime por um mês e paga R$ 3 mil a matador para executar trabalhador em Feira

 





Vítima foi atraída para emboscada após cobrar quitação de financiamento de moto vendida pelo mandante; crime foi desvendado em menos de 12 horas.

Em uma resposta rápida, a Delegacia de Homicídios (DH) de Feira de Santana elucidou o assassinato do motociclista Rafael de Jesus Freitas, de 29 anos. O que inicialmente foi registrado como um corpo encontrado com marcas de tiros na Estrada de Santa Rita, no bairro Mantiba, revelou-se um plano macabro de latrocínio (roubo seguido de morte) arquitetado ao longo de um mês. Três homens foram presos nesta terça-feira (9), incluindo o mentor intelectual do crime, e um quarto envolvido segue foragido.

Em entrevista, o delegado titular da DHPP, Gustavo Coutinho, destrinchou a frieza dos criminosos e o passo a passo da investigação que desmontou a farsa em tempo recorde.

Delegado Gustavo Coutinho da DHPP

De acordo com as investigações, a vítima — descrita como um cidadão trabalhador — comprou uma motocicleta CG Titan Start com um homem identificado como Éric. O valor do veículo foi fechado em R$ 15 mil, mas como havia R$ 5 mil em multas acumuladas, Rafael abateu o valor e entregou R$ 10 mil em espécie a Éric.

O conflito começou quando Rafael tentou realizar a transferência de propriedade e descobriu que o veículo era, na verdade, alienado e possuía parcelas de financiamento em atraso. A vítima passou a exigir que o vendedor quitasse a dívida para regularizar o bem.

“O vendedor ficou resistente em quitar as parcelas e sugeriu que devolveria os R$ 10 mil assim que vendesse uma outra moto antiga que possuía, uma XRE. Mas, na verdade, ele acabou tramando um plano mirabolante para matar o Rafael”, revelou o delegado Gustavo Coutinho. 

Tocador de áudio

O objetivo de Éric era duplo e perverso: eliminar a cobrança, recuperar a moto (que ainda estava legalmente em seu nome) e, após a poeira baixar, resgatar o veículo apreendido pela polícia para continuar rodando sem precisar devolver um centavo à vítima.

Sem coragem para executar o crime com as próprias mãos, Éric contratou um matador de aluguel conhecido como “Bau”, morador do distrito da Matinha. Pelo “serviço”, Bau e um segundo comparsa receberiam o valor de R$ 3.000 cada.

A quadrilha passou cerca de 30 dias estudando o plano perfeito. Inicialmente, pensaram em usar uma garota de programa para atrair Rafael para uma emboscada, mas 



mudaram de ideia. Na noite de segunda-feira (8), Éric convenceu Rafael a ir até o povoado de Mantiba sob o falso pretexto de que Bau compraria a sua moto antiga e o dinheiro seria transferido diretamente para a conta de Rafael para saldar a dívida dos R$ 10 mil.

Ao chegar ao local isolado por volta das 22h, Rafael foi surpreendido por Bau e o outro comparsa. O trabalhador foi executado friamente com dois ou três tiros, ainda usando o capacete. Os criminosos fugiram levando a moto, documentos e o celular da vítima.

“Desde o início, quando fomos comunicados, eu já sabia que era latrocínio. A moto havia sido levada, os documentos e o celular também. O interesse era puramente patrimonial”, afirmou Coutinho.

Uma denúncia anônima e a tecnologia. Os criminosos não sabiam que a moto de Rafael possuía um rastreador oculto. O sinal indicou exatamente a casa de Éric.

Ao entrarem na residência, os investigadores encontraram a motocicleta totalmente desmontada. Confrontado com as provas colhidas pela DHPP, Éric “abriu o coração” e confessou o crime com riqueza de detalhes, entregando os comparsas.

Três envolvidos foram conduzidos à delegacia e tiveram as prisões formalizadas. A Polícia Civil agora concentra esforços para localizar e prender o quarto integrante da quadrilha que participou da execução. Os detidos responderão por latrocínio e associação criminosa.

Blog Central de Polícia, com informações e foto de Denivaldo Costa

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