O senador Otto Alencar (PSD-BA) confirmou que manteve conversas por telefone com Daniel Vorcaro, então controlador do Banco Master, durante o período em que assumiu a presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. Segundo o parlamentar, foram dois ou três contatos entre o final de 2024 e o começo de 2025.
A declaração foi dada à coluna de Milena Teixeira, do Metrópoles, após a divulgação de mensagens apreendidas pela Polícia Federal no celular de Vorcaro. Nos diálogos, o banqueiro teria se referido a Otto como “conselheiro” e “comandante”.
De acordo com Otto, os contatos ocorreram por meio do telefone do advogado Ciro Soares, que representava Vorcaro na época. O tema tratado seria uma possível emenda de autoria do senador Ciro Nogueira (PP-PI) à PEC 65/2023, que discutia a autonomia orçamentária e financeira do Banco Central.
A proposta em questão previa aumentar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) por depositante. A chamada “Emenda Master” acabou não fazendo parte do texto final da proposta.
Otto, no entanto, afirmou que não apresentou nem incluiu a medida durante a tramitação. O senador também indicou que detalhes sobre o andamento da proposta poderiam ser esclarecidos por Plínio Valério (PSDB-AM), que era o relator da matéria na CCJ.
“Naquele momento, ninguém tinha ideia de que existiam todos esses problemas”, afirmou Otto, segundo o Metrópoles.
As declarações ocorreram em meio às novas informações da investigação da Polícia Federal sobre as relações de Vorcaro com políticos. Mensagens encontradas no aparelho do banqueiro também registraram, segundo reportagens, tentativas de aproximação e de marcação de encontros presenciais com Otto. O senador, por sua vez, afirmou que os contatos telefônicos se limitaram ao período e aos assuntos relatados.
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