As investigações que envolvem autoridades políticas no caso Banco Master deixaram de tramitar sob sigilo nesta sexta-feira (11). O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a abertura dos procedimentos após receber um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR).
A medida amplia significativamente o conjunto de informações que poderá ser consultado no processo. Entre os políticos citados nas apurações estão os senadores Flávio Bolsonaro, Ciro Nogueira e Jaques Wagner, além do ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro.
A solicitação foi apresentada pelo vice-procurador-geral da República, Hindemburgo Chateaubriand Filho. A PGR apontou que determinados procedimentos relacionados à Operação Compliance Zero haviam ficado de fora da relação de processos cujo sigilo havia sido retirado anteriormente por Mendonça.
Com a nova decisão, esses autos passam a ter acesso público, em cumprimento também à determinação do presidente do STF, Edson Fachin, para que os procedimentos relacionados ao caso fossem disponibilizados.
O que está sendo investigado
A abertura dos processos permite conhecer detalhes de diferentes linhas de investigação, cada uma envolvendo uma autoridade distinta.
No caso de Flávio Bolsonaro, a apuração está relacionada ao financiamento do filme Dark Horse, produção sobre Jair Bolsonaro. Segundo documentos da investigação, o senador teria mantido contato direto com Daniel Vorcaro durante a busca por recursos para o projeto. Os valores, de acordo com os investigadores, seriam administrados nos Estados Unidos por Eduardo Bolsonaro. Flávio e Eduardo negam irregularidades.
A investigação envolvendo Ciro Nogueira examina sua possível atuação política em favor do Banco Master e de Vorcaro. A Polícia Federal apura ainda suspeitas relacionadas a vantagens financeiras que teriam sido destinadas ao senador, além da relação próxima mantida entre os dois.
No caso do ex-governador Cláudio Castro, os investigadores analisam operações envolvendo cerca de R$ 3,6 bilhões do Rioprevidência, fundo previdenciário dos servidores do Rio de Janeiro. O dinheiro teria sido aplicado em títulos ligados ao Banco Master. A apuração busca esclarecer se houve interferência na administração do fundo para viabilizar investimentos considerados de elevado risco. Castro nega irregularidades.
Já a investigação envolvendo Jaques Wagner concentra-se em sua relação com Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master. Os investigadores analisam suspeitas de repasses para uma empresa ligada a familiares do senador e também uma operação envolvendo a aquisição de um imóvel de alto padrão em Salvador. Wagner nega ter favorecido o banco ou cometido qualquer irregularidade.
A retirada do sigilo ocorre em meio à crescente pressão dentro do STF para ampliar o acesso aos documentos do caso. A medida permite que os autos dessas investigações sejam consultados publicamente e adiciona novas informações ao conjunto de elementos que será analisado pela Corte.
*Com informações Bahia Notícias
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