Mistura de etanol na gasolina sobe para 32% e gera debate sobre impacto no bolso e na economia

 

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A mistura obrigatória de etanol na gasolina deve passar de 30% para 32% a partir desta quarta-feira (24), após anúncio do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin. A proposta ainda será analisada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).

Segundo o governo federal, a mudança faz parte da política de incentivo aos biocombustíveis e pretende reduzir a dependência de combustíveis importados, além de diminuir a emissão de poluentes e estimular a cadeia produtiva nacional. A expectativa é que a medida elimine a necessidade de importação de cerca de 500 milhões de litros de gasolina por mês.

A política está inserida na chamada Lei do Combustível do Futuro, que já havia elevado o percentual de etanol na gasolina de 27,5% para 30% em 2025.

“Preço pode cair na bomba, mas gasto mensal tende a se manter”, avalia economista

Para o economista Rosevaldo Ferreira, o aumento da mistura pode até provocar uma leve redução no preço por litro da gasolina, mas sem impacto real no orçamento final do consumidor.

“O aumento do etanol na gasolina pode até reduzir o preço do litro na bomba. Mas do consumo do tanque não vai mudar. Você vai gastar menos por litro, mas o carro vai consumir mais. No fim, o gasto mensal com combustível tende a permanecer o mesmo”, afirmou.

Ele explica que o efeito prático da mudança é limitado para o consumidor comum.

“O impacto no bolso dos brasileiros é praticamente inócuo, a não ser que venha acompanhado de melhorias tecnológicas nos veículos”, destacou.

Na avaliação do economista, o maior ganho da medida está na cadeia produtiva do etanol e na redução da dependência externa de combustíveis.

“O setor de biocombustíveis é o grande beneficiado, porque fortalece a cadeia da cana-de-açúcar e reduz nossa dependência de combustíveis importados”, disse.

Ele também ressalta o potencial de aumento na arrecadação dos estados e no fortalecimento das usinas.

“Isso traz efeitos positivos para produtores, usinas e para os estados, com possível aumento de arrecadação”, completou.

Apesar dos benefícios, Rosevaldo alerta para possíveis efeitos colaterais no equilíbrio do mercado agrícola e energético.

“Todo negócio tem risco. Pode haver quebra de safra, oscilações internacionais e impacto na produção de açúcar, que concorre com o etanol”, explicou.

Ele destaca ainda que a expansão do etanol pode influenciar o preço de outros produtos derivados da cana.

“O açúcar pode ter aumento de preço em decorrência da maior produção de etanol em larga escala. Isso precisa ser bem mensurado”, afirmou.

O economista também defende que a medida reduz a vulnerabilidade externa do país.

“Hoje o Brasil importa grande parte do combustível que consome. Com essa mudança, a hegemonia do fornecimento será nossa”, disse.

Ele lembra ainda que o país já possui tecnologia consolidada no setor desde os anos 1980.

“Nós temos tecnologia própria há décadas. Isso permite investir mais em inovação e ampliar a produção de forma sustentável”, concluiu.

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