Último debate entre Lula e Flávio Bolsonaro é marcado por propostas, acusações e troca de ataques

 

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Foto: Globo/Manoella Mello

O último debate entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) antes do segundo turno das eleições presidenciais foi marcado por uma combinação de propostas para diferentes áreas do país e uma série de confrontos entre os dois candidatos. O encontro ocorreu na noite desta sexta-feira (23), nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro, com mediação do jornalista César Tralli.

Ao longo dos blocos, os candidatos apresentaram posições sobre salário mínimo, aposentadorias, endividamento, saúde pública, educação, saneamento, infraestrutura, agronegócio, exportações e segurança pública. As discussões também foram acompanhadas por críticas relacionadas aos governos anteriores e por acusações envolvendo aliados e episódios que chegaram à Justiça.

Um dos primeiros temas abordados foi infraestrutura. Flávio Bolsonaro citou um levantamento do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre obras paralisadas e prometeu ampliar a malha ferroviária, além de concluir trechos da Transnordestina. Lula rebateu dizendo que seu governo retomou projetos que estavam interrompidos e mencionou obras como a Transnordestina, a Fiol, a Fico e a BR-319.

Na discussão econômica, o salário mínimo e o endividamento das famílias estiveram entre os principais pontos de divergência. Flávio prometeu reajustes acima da inflação para o salário mínimo e aposentadorias e criticou os juros e a carga tributária. Lula defendeu a política de valorização do salário mínimo adotada em seus governos e citou programas voltados à renegociação de dívidas.

Saúde, educação e políticas sociais

O Sistema Único de Saúde (SUS) também foi alvo de questionamentos. Lula cobrou do adversário detalhes sobre como pretende ampliar os investimentos na saúde diante de sua proposta de redução de gastos. Flávio, por sua vez, concentrou a resposta em problemas como filas para consultas e cirurgias e afirmou que pretende manter investimentos no sistema.

Na educação, o debate passou pelo ensino em tempo integral, pelo programa Pé-de-Meia e pela ampliação de creches. Lula prometeu universalizar o ensino integral e ampliar o programa de incentivo aos estudantes. Flávio defendeu propostas como vale-creche e parcerias entre instituições públicas e privadas.

Os candidatos também divergiram sobre saneamento básico. Flávio citou as metas estabelecidas pelo Marco Legal do Saneamento e cobrou avanços no acesso à água tratada e ao esgotamento sanitário. Lula respondeu destacando investimentos realizados na área e criticou medidas adotadas durante o governo Jair Bolsonaro.

Segurança pública concentra confrontos

A segurança foi um dos momentos de maior tensão do debate. Flávio defendeu medidas mais rígidas contra organizações criminosas, incluindo mudanças nas penas, redução da maioridade penal em determinadas situações e classificação de facções como organizações narcoterroristas.

Lula apresentou uma proposta de fortalecimento das forças de segurança e defendeu a aprovação da PEC da Segurança Pública. Durante a discussão, os dois também trocaram acusações envolvendo grupos criminosos e episódios ocorridos durante governos anteriores.

O caso de Ana Clara, menina de cinco anos morta por um disparo de fuzil, foi citado por Lula durante o confronto. Flávio Bolsonaro atuou como advogado de um policial acusado pelo crime. O candidato do PL afirmou que o policial ainda não foi condenado e contestou a associação feita pelo adversário.

Ataques pessoais e casos envolvendo aliados

A parte final do debate foi marcada por acusações envolvendo pessoas próximas aos candidatos e episódios investigados pela Justiça.

Lula questionou Flávio sobre sua relação com o advogado Willer Tomaz e mencionou uma disputa envolvendo uma propriedade em Angra dos Reis. Flávio negou qualquer sociedade com o advogado e afirmou que os dois são apenas amigos.

O senador também citou o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e acusou integrantes do governo Lula de terem relações com investimentos ligados à instituição. Lula rebateu e questionou a proximidade de Flávio com o empresário.

Outro momento de confronto envolveu a pandemia de Covid-19 e negociações relacionadas à vacina Covaxin. Lula citou a participação de Flávio em um encontro com empresários, enquanto o candidato do PL negou irregularidades.

Durante o encontro, Flávio também utilizou expressões ofensivas contra Lula, enquanto o petista chamou o adversário de “miliciano”. Os dois tiveram direitos de resposta ao longo do debate.

Nas considerações finais, Lula pediu votos para sua candidatura e defendeu a continuidade de seu projeto político. Flávio, por sua vez, afirmou que pretende priorizar o poder de compra, a segurança e a soberania nacional, além de pedir apoio para sua candidatura.

O debate foi o último encontro televisivo entre os dois candidatos antes da votação do segundo turno, marcada para domingo (25).

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