Um dos espaços mais simbólicos da cultura de Feira de Santana voltou a receber atividades nesta segunda-feira (1º), com a entrega da requalificação do Complexo Cultural Carro de Boi. Referência para o município e para o Território de Identidade Portal do Sertão, o equipamento foi completamente reformado e modernizado por meio de investimentos dos governos estadual e federal e passará a integrar, em uma nova etapa, o Centro de Cultura Amélio Amorim, formando um amplo parque cultural na cidade.
A cerimônia contou com a presença do governador Jerônimo Rodrigues, da ministra da Cultura, Margareth Menezes, do secretário estadual de Cultura, Bruno Monteiro, além de artistas, fazedores de cultura e representantes da sociedade civil.
Durante a entrega, o governador destacou a importância histórica do equipamento e o cuidado adotado para preservar sua identidade original.
“Quando nós começamos o governo e eu anunciei que iria reformar e entregar esse espaço, pedi ao secretário Bruno que reunisse uma equipe de engenharia, arquitetura e também historiadores que conhecessem a história deste complexo para que nada da sua memória fosse perdido. Ao mesmo tempo, entendemos a necessidade de fazer os ajustes necessários para devolvermos à população um equipamento moderno, mantendo sua essência”, afirmou.

Jerônimo também ressaltou o envolvimento da família de Amélio Amorim no processo de recuperação do espaço e revelou que peças históricas foram encontradas durante as obras.
“A participação da família de Amélio Amorim contribuiu com janelas da casa dele, equipamentos, artes. Quando a gente começou a fazer o desmonte para a reforma, encontramos duas peças raras, inclusive sem cadastro, porque estavam muito bem guardadas. É um tesouro que a gente vai caçando e encontra.”

O governador revelou ainda que pretende ampliar os estudos sobre a história de Amélio Amorim e de outras personalidades ligadas à cultura feirense.
“Eu encomendei a Bruno um estudo mais intenso sobre a história de Amélio Amorim. Daí vamos puxar outros nomes que estão escondidos ao longo da história e que precisam ser revelados.”
Segundo o secretário de Cultura da Bahia, Bruno Monteiro, a obra recebeu investimento de R$ 7,4 milhões, provenientes do Governo do Estado e do Governo Federal, por meio da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB).

“Hoje é um dia muito especial. Eu posso dizer sem exagero que é um dia histórico para a cultura de Feira de Santana, do Portal do Sertão e da Bahia, com esse grande reencontro de um equipamento cultural que marca a história dessa cidade e a memória de uma geração.”
O secretário explicou que a intervenção contemplou recuperação estrutural das edificações, modernização das instalações, melhorias de acessibilidade, revitalização das áreas externas e adequação dos espaços para atividades culturais, expositivas e gastronômicas.
O complexo passa a contar com restaurante, áreas para realização de eventos culturais, retomada do espaço Jerimum, popularmente conhecido como Abóbora, e integração com o novo Parque da Cultura.
“O complexo cultural Carro de Boi está totalmente reformado, com restaurante, espaço para realização cultural, com a retomada da boate Jerimum, a Abóbora, que é um cartão-postal da entrada de Feira de Santana.”

Bruno anunciou ainda que o governador autorizou a publicação do edital de licitação para a reforma completa do Centro de Cultura Amélio Amorim, com investimento de mais R$ 7 milhões.
“Tivemos o cuidado de fazer isso em duas etapas para não fecharmos o equipamento, que é muito importante para a nossa cultura. Agora entra em reforma o Amélio Amorim, que vai passar por uma reestruturação completa, com troca de cobertura, reforma hidráulica e elétrica, modernização dos equipamentos, reforma da concha acústica com cobertura e restauração das fachadas.”
Segundo ele, ao final das intervenções, Feira de Santana contará com um dos maiores complexos culturais do interior do Nordeste.
“Vamos ter aqui, depois de um ano, esse grande complexo cultural Amélio Amorim totalmente pronto para receber a diversidade da cultura e das artes de Feira e da Bahia.”
Ao comentar o funcionamento do equipamento, Bruno Monteiro destacou que a utilização do espaço será construída junto aos artistas e produtores culturais da cidade.
“A gente entende que esse funcionamento vai se moldar muito a partir da ocupação cultural que os próprios fazedores de cultura e os artistas de Feira darão ao equipamento.”

Ele lembrou o sucesso do Centro de Convenções e do Teatro Carlos Pitta como exemplo do potencial cultural da cidade.
“Tudo que acontece aqui tem uma escala muito grande e uma apropriação muito forte pelos fazedores de cultura local. O Centro de Convenções e o Teatro Carlos Pitta já receberam mais de 150 mil pessoas em apenas um ano e meio de funcionamento.”
O secretário destacou ainda que o Jerimum já inicia suas atividades com a exposição “O Sertão por Amélia Amorim”.
“Nós sabemos que ele é um lugar multiuso para apresentações de teatro, dança, capoeira, exposições, artes plásticas, artes visuais e audiovisual. O governo faz a obra e entrega para a cultura de Feira. Vamos construir juntos esse plano de ocupação.”
A ministra da Cultura, Margareth Menezes, celebrou a entrega do equipamento e ressaltou a importância de ampliar os investimentos culturais para além das capitais brasileiras.

“É importantíssimo um equipamento cultural como esse em Feira de Santana, que resgata a memória de Amélio Amorim e também a força e a importância que a cidade tem como grande potência cultural.”
Segundo ela, espaços como o Complexo Carro de Boi fortalecem a economia criativa e criam oportunidades para artistas e produtores culturais.
“Um equipamento cultural permite apresentações, movimenta a economia local e fortalece a economia criativa. Existe orçamento para isso e nós precisamos executar esse orçamento.”

A programação também foi marcada pela homenagem e certificação de 27 mestres e mestras das culturas populares, identitárias e das artes do Território Portal do Sertão.
Entre os homenageados esteve o cantor, compositor, cordelista e criador da Cidade da Cultura, Asa Filho.

“Eu tenho a honra de receber esse prêmio aqui em Feira de Santana, através da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia e do Ministério da Cultura. Foi uma surpresa para mim saber que agora vamos ser condecorados e receber o diploma.”
O deputado federal Zé Neto lembrou que a recuperação do equipamento foi resultado de uma articulação que atravessou diferentes gestões.

“Isso aqui é uma luta nossa de muitos anos. Tentamos viabilizar essa obra em vários momentos, mas somente agora conseguimos reunir as condições necessárias para tirar esse projeto do papel.”
O parlamentar destacou o simbolismo da recuperação da Abóbora para os feirenses.
“Isso é dignidade da cidade, é a alegria da cidade, é a autoestima da cidade. Você chegava em Feira e via aquela Abóbora desabando. Agora você chega e vê essa Abóbora iluminada. Ela é um símbolo da nossa insistência e da nossa identidade.”
Zé Neto informou ainda que destinou recursos para apoiar a continuidade das obras.
“Já coloquei um milhão de reais para ajudar na cobertura da concha acústica e mais recursos para a reforma do teatro. São dois milhões e meio de reais em emendas ajudando nesse momento.”
O deputado ressaltou a importância do espaço para as futuras gerações.
“As crianças precisam de mais oportunidades e mais espaços. Aqui será um lugar para as escolas, para a cultura, para a história de Amélio Amorim e para a valorização das nossas raízes.”
*Com informações da repórter Isabel Bomfim

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