A Bahia segue no centro do debate sobre segurança pública nacional, concentrando dez das 20 cidades mais violentas do Brasil, segundo dados do Atlas da Violência divulgados nesta terça-feira. O relatório, elaborado pelo Ipea em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, revela o tamanho do desafio no estado: em números absolutos, os baianos registraram 6.061 mortes violentas em um único ano. A taxa de letalidade do estado atingiu 40,9 mortes por 100 mil habitantes, um índice alarmante que representa mais do que o dobro da média nacional, fixada em 20,1, conforme divulgado pelo site Correio
No cenário interiorano, os dados acendem um alerta crítico para grandes polos econômicos, com destaque para Feira de Santana, que figura com uma taxa de 67,0 homicídios por 100 mil habitantes, evidenciando a forte interiorização da criminalidade. No topo do ranking baiano está Jequié, que ocupa a segunda posição geral no país. O relatório aponta que a lista completa dos municípios da Bahia, acompanhada de suas respectivas taxas de homicídios por 100 mil habitantes, é composta por:
Jequié — 79,4
Juazeiro — 71,1
Feira de Santana — 67,0
Porto Seguro — 64,6
Simões Filho — 64,0
Camaçari — 62,9
Teixeira de Freitas — 60,7
Lauro de Freitas — 57,8
Ilhéus — 55,5
Salvador — 52,7
Embora o Atlas aponte uma redução de 6,9% nos homicídios em termos gerais no Brasil — alcançando o menor patamar histórico da série iniciada em 2014 —, a realidade regional escancara uma severa desigualdade geográfica. A violência letal está severamente concentrada no Norte e Nordeste, que abrigam 17 das 20 cidades mais perigosas do país. Enquanto isso, as regiões Sul, Sudeste e o Distrito Federal conseguem manter os menores índices de criminalidade, aprofundando o abismo da segurança entre os estados.
Por fim, os pesquisadores fazem uma grave ressalva técnica: a melhora nos índices nacionais pode estar maquiada pelo crescimento das Mortes Violentas por Causa Indeterminada (MVCI). De acordo com o relatório, a incapacidade do Estado de identificar a intencionalidade de milhares de óbitos prejudica a análise real da letalidade. Corrigindo essa distorção, estima-se que o Brasil tenha sofrido, na verdade, quase 50 mil homicídios no período, o que reforça a urgência de melhorias na qualidade dos dados oficiais e nas políticas públicas de policiamento e investigação.
Com informações do site Correio
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