
O sepultamento de Milene Silvania Ramos dos Santos, de 32 anos, e do filho, Guilherme Dias Matias, de 9 anos, foi marcado por forte comoção nesta terça-feira (14), em Feira de Santana. Mãe e filho foram vítimas de um atropelamento ocorrido no último domingo (12), no bairro Santo Antônio dos Prazeres.
Familiares e amigos acompanharam o cortejo sob clima de revolta e tristeza. Durante a despedida, a família fez um apelo por justiça e cobrou providências das autoridades, tanto em relação à responsabilização do condutor quanto à falta de infraestrutura no local do acidente.
Irmã de Milene, Mônica Silvania Ramos dos Santos relatou o sofrimento da família, principalmente em relação à filha sobrevivente da vítima, de 11 anos, que segue internada.
“Graças a Deus ela está fora de perigo, está estável, mas ainda em observação. Ela está conversando, perguntando o tempo todo pela mãe e pelo irmão e a gente não pode falar nada”, disse.

Segundo Mônica, a menina teve um pequeno trauma na cabeça e segue sendo acompanhada pela equipe médica. A família ainda não sabe como dará a notícia da morte da mãe e do irmão à criança.
“Eu não tenho coragem de dizer. Como é que eu vou chegar para minha sobrinha e dizer que a mãe e o irmão morreram? A mãe dela era superprotetora”, desabafou.
Ela criticou a conduta do motorista envolvido no acidente e cobrou responsabilização. “Ele tem que pagar pela imprudência dele. Tirou duas vidas. Nem socorro prestou”, afirmou.
O pai de Guilherme e marido de Milene, Bruno Matias, também falou sobre a dor da perda e a dificuldade de lidar com o momento.

“É um sentimento que não dá nem para explicar com palavras. A gente relembra tudo, tenta não mexer no celular para não ver as fotos. É muito difícil”, disse.
Bruno relatou que Milene havia saído para passar o dia com os filhos em um parque e que o acidente aconteceu no retorno para casa, durante a noite.
“Ela saiu para se divertir com eles, e na volta aconteceu isso. Eu estava em casa, esperando ela chegar, quando recebi a ligação”, contou.
O pastor Adilson Pereira destacou a dificuldade humana de lidar com perdas tão dolorosas e a importância da fé como instrumento de consolo.

“A gente vê partidas de pessoas todos os dias, mas a nossa alma não se acostuma com essa ideia. Sobretudo quando a morte vitima mãe e filho ao mesmo tempo, é algo que ninguém espera ver”, afirmou.
O pastor também ressaltou o papel da comunidade no apoio à família neste momento de luto.
“Nosso trabalho tem sido desde o domingo à noite, com apoio, consolação e incentivo. Em uma hora dessas, muitas vezes as palavras não ajudam, mas o ombro amigo é fundamental”, disse.
Ele ainda refletiu sobre os questionamentos que surgem diante de tragédias como essa. “As pessoas se perguntam por que isso acontece com pessoas boas, como Milene e Guilherme. Mas a fé nos dá respostas e traz a consolação que precisamos”, completou.
Moradores e familiares voltaram a denunciar a falta de segurança na região, onde ocorreu o acidente. Segundo relatos, o trecho é perigoso, com grande fluxo de veículos, ausência de redutores de velocidade e pouca sinalização.
“Já pedimos várias vezes por quebra-molas, radar, sinalização. Só vão tomar providência quando mais vidas forem perdidas?”, questionou Mônica.
Bruno reforçou as críticas. “É uma avenida com muito movimento, sem acostamento, cheia de buracos. Um trecho muito ruim para trafegar”, afirmou.
O caso segue sendo investigado pelas autoridades.
*Com informações do repórter JP Miranda
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