
O aumento no preço da gasolina, que já se aproxima de R$ 7 em alguns postos, começa a refletir um cenário de tensão internacional. A guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã tem provocado instabilidade no mercado de petróleo e pode gerar impactos diretos na economia mundial e no bolso do consumidor brasileiro.
De acordo com o economista Amarildo Gomes, o conflito ocorre em uma região estratégica para a produção e o transporte de petróleo, o que eleva os custos do combustível em diversos países.
“Com a guerra que está acontecendo entre Estados Unidos, Israel e Irã, obviamente teremos um problema grave no mundo todo provocado pelo aumento do preço do petróleo”, afirmou.
Segundo ele, a importância da região do Golfo Pérsico para o abastecimento mundial explica a rápida reação do mercado.
“No Estreito de Ormuz passa praticamente 25% de todo o petróleo consumido no mundo. Com qualquer interrupção nesse trânsito, o preço do combustível sobe imediatamente”, explicou.
O economista também avalia que parte do aumento registrado no Brasil pode ter ocorrido antes mesmo de reajustes oficiais nas refinarias.
“Em alguns casos houve uma antecipação na busca de lucros. Antes mesmo de refinarias anunciarem aumento, alguns postos já elevaram os preços”, disse.
Ele afirma que o setor possui características que favorecem esse comportamento.
“Os postos acabam funcionando em um mercado cartelizado, onde muitas vezes os preços sobem de forma combinada ou antecipada, o que acaba prejudicando o consumidor”, criticou.
Segundo Amarildo, cabe aos órgãos de defesa do consumidor fiscalizar possíveis abusos.
“Cabe ao Procon e aos órgãos de defesa do consumidor buscar resolver essa questão quando houver exageros nos reajustes”, pontuou.
Além do impacto direto no preço da gasolina, o economista alerta para o efeito em cadeia na economia brasileira, já que grande parte do transporte de mercadorias depende de combustíveis fósseis.
“A cadeia de distribuição de mercadorias no Brasil acontece principalmente através de caminhões. Com o combustível mais caro, o frete sobe e isso acaba elevando o preço de praticamente todos os produtos”, explicou.
Ele ressalta que esse tipo de aumento gera inflação e reduz o poder de compra da população.
“Toda inflação é prejudicial porque aumenta o preço dos bens, mas não aumenta o salário das pessoas. Com isso, o consumidor perde poder de compra”, disse.
Amarildo também destacou que o aumento do petróleo no mercado internacional já é significativo.
“O preço do barril saiu de cerca de 60 dólares para aproximadamente 90 dólares. Naturalmente, as empresas que compram petróleo acabam pagando mais caro e repassam esse custo para o consumidor”, afirmou.
O economista avalia ainda que o conflito pode afetar exportações brasileiras, principalmente produtos agrícolas.
“O Brasil exporta carne, frango e milho para países daquela região. Com a guerra, vários navios ficam impedidos de chegar ao destino por causa do risco no transporte marítimo”, explicou.
Segundo ele, isso pode gerar efeitos variados no mercado interno.
“Alguns produtos podem até ficar mais baratos no Brasil se não forem exportados, como o milho. Já outros setores podem enfrentar dificuldades maiores, como o de carnes”, disse.
Consumidores já reclamam nas bombas
Nos postos de combustíveis em Feira de Santana, o aumento já tem sido sentido pelos motoristas. O frentista Evandro Siqueira afirma que os clientes comentam diariamente sobre a alta.
“Os clientes chegam reclamando todos os dias. Eles dizem que estão pagando por causa da guerra e acabam abastecendo menos porque o combustível subiu bastante”, relatou.
Segundo ele, muitos motoristas passaram a escolher o combustível com base no custo-benefício.
“Como a gasolina subiu mais, muita gente está fazendo a conta e optando pelo etanol quando compensa. A gente já percebe uma redução no volume de abastecimento”, explicou.
Evandro também lamenta o preço dos combustíveis no país.
“Infelizmente a gente se lamenta, porque no Brasil o combustível poderia ser bem mais em conta, principalmente o etanol, que é produzido aqui perto da gente”, afirmou.
Para o economista Amarildo Gomes, a estabilização dos preços dependerá diretamente do cenário geopolítico.
“Toda guerra traz transtornos para a população e quando acontece em uma região produtora de petróleo, o impacto é mundial”, afirmou.
Ele destaca que a solução para o problema está ligada ao fim do conflito.
“Nós temos que torcer para que essa guerra termine o mais rápido possível para que a economia volte à normalidade”, disse.
*Com informações do repórter JP Miranda
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