
O conflito no Oriente Médio já começa a provocar reflexos na economia mundial e pode impactar diretamente o Brasil. Em entrevista ao programa De Olho na Cidade da Rádio Sociedade News, o economista Gesner Brehmer analisou os efeitos da ofensiva envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, destacando o aumento do petróleo e as incertezas no cenário global.
Gesner contextualizou historicamente as tensões na região, lembrando que o conflito tem raízes profundas, que remontam ao período pós-Segunda Guerra Mundial e à reorganização da economia internacional após os acordos de Bretton Woods.

“A partir de 1948, com a criação do Estado de Israel, surgem tensões étnicas, religiosas e territoriais na região. Em 1979, com a Revolução Iraniana, o Irã deixa de ser monarquia e se torna uma república islâmica com forte caráter teocrático”, explicou.
Segundo ele, desde então o país se consolidou como um dos principais players mundiais na produção de petróleo, utilizando parte dessa receita para fortalecer seu programa militar e nuclear.
O ponto mais sensível neste momento, segundo o economista, é o Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo consumido no mundo.
“20% do petróleo mundial passa por aquele estreito. O Irã decretou o fechamento da região, e isso já fez o preço do petróleo subir”, alertou.
Com a alta do petróleo, o impacto se espalha por toda a cadeia produtiva.
“O petróleo é insumo para inúmeros produtos. Se o preço sobe, os custos de produção aumentam e isso gera pressão inflacionária. Com inflação maior, os bancos centrais tendem a elevar os juros.”
No Brasil, a principal preocupação é a política monetária. O mercado aguardava cortes na taxa básica de juros ao longo de 2026, mas o cenário de incerteza pode mudar essa perspectiva.
“Se o cenário continuar nebuloso até a próxima reunião do Banco Central, dificilmente haverá corte na taxa de juros. O Banco Central é cauteloso diante de incertezas.”
Para Gesner, juros elevados mantêm o crédito caro e dificultam investimentos produtivos, o que pode frear o crescimento econômico.
“Ainda não é um alerta vermelho, mas é um alerta amarelo.”
O economista também ponderou que a duração do conflito é uma variável crucial.
“O presidente americano falou em até cinco semanas de guerra, mas conflitos costumam se prolongar. Veja o caso da guerra entre Rússia e Ucrânia, que já dura quase quatro anos.”
Ele chamou atenção para a geopolítica e para o papel de dois atores centrais no xadrez internacional: Rússia e China.
“Acompanhem as reações de Rússia e China. Eles são aliados estratégicos do Irã e têm interesse direto nesse cenário. A China, por exemplo, já trabalha há anos com a iniciativa do Cinturão e Rota para ampliar sua influência global.”
Segundo Gesner Brehmer, o conflito vai além do campo militar e se insere em uma disputa maior pela hegemonia mundial.
“É um jogo de xadrez geopolítico. Cada movimento gera efeitos em cadeia.”
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