
Um levantamento realizado por protetores independentes em Feira de Santana aponta que cerca de 3 mil animais estão atualmente sob cuidados voluntários na cidade. O dado foi divulgado pela advogada Ticiana Sampaio, integrante da Comissão de Proteção e Defesa Animal da OAB Feira, que alerta que o número pode ser ainda maior.
Segundo ela, o levantamento foi feito de forma independente por um grupo de protetores, com o objetivo de dimensionar a situação no município.
“Esse número aproximado é de três mil animais. A gente estima que seja maior, mas foi o que esse grupo conseguiu levantar. É um número extremamente alto e certamente está abaixo da realidade”, afirmou.
De acordo com a advogada, o crescimento do número de animais abandonados está diretamente ligado à ausência de políticas públicas voltadas à causa animal, especialmente no que diz respeito à castração.
“Esse elevado número de animais em situação de abandono se dá em razão da falta de qualquer política pública voltada para a proteção animal, principalmente na questão da castração”, destacou.
Ela explica que, sem controle populacional, os animais se reproduzem de forma desordenada nas ruas.
“A partir do momento que não há castração, a gente se depara com uma reprodução sem qualquer tipo de assistência. Não há controle populacional”, pontuou.
A sobrecarga também afeta diretamente os protetores independentes, que acabam assumindo responsabilidades sem apoio institucional.
“Muitos protetores estão adoecidos, deprimidos, até fisicamente doentes, porque não conseguem atender à demanda de tantos chamados diariamente”, relatou.
Além da castração, Ticiana defende que a solução passa também pela educação e conscientização da população desde a infância.
“A gente precisa começar nas escolas, conscientizar as pessoas sobre a situação dos animais. Eles são seres sensíveis, sentem dor física e emocional como nós”, afirmou.
Ela reforça que a mudança de comportamento da sociedade é essencial para reduzir o abandono.
“Se as pessoas tiverem essa sensibilidade, a gente vai ter uma mudança comportamental em relação aos animais”, disse.
Atualmente, segundo a advogada, a maioria das castrações realizadas na cidade acontece de forma particular, sem apoio do poder público.
“O que a gente consegue castrar hoje é de forma particular. Não temos apoio governamental, não há recursos que cheguem às ONGs”, criticou.
Ela ressalta ainda que existe legislação federal que prevê a responsabilidade dos entes públicos no controle populacional de cães e gatos.
Maus-tratos são crime
A advogada também lembrou que o abandono e os maus-tratos a animais são crimes previstos em lei, com penas mais severas desde 2020.
“Hoje a gente tem uma pena que pode chegar a até cinco anos de prisão. Em caso de flagrante, a pessoa pode ficar presa até a audiência de custódia”, explicou.
Para que haja responsabilização, no entanto, é fundamental que haja provas.
“É importante ter vídeo, foto ou testemunha para que possamos responsabilizar essas pessoas de fato”, orientou.
Apesar dos desafios, ela destaca que o momento é de transformação.
“A gente está num processo de mudança. O que não pode é desistir. Precisamos insistir na conscientização e na aplicação da lei para construir uma sociedade melhor também para os animais”, concluiu.
*Com informações do repórter JP Miranda
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