
A morte súbita cardíaca ainda é um dos eventos mais temidos pela população, justamente por ocorrer de forma inesperada, muitas vezes em pessoas aparentemente saudáveis. O tema foi abordado pelo cardiologista Dr. Sérgio Rocha durante participação no quadro Momento IDM Cardio.
Segundo o médico, a morte súbita é caracterizada pela interrupção repentina da vida sem sinais prévios evidentes.
“É aquela situação em que o paciente aparentemente está bem, não sente nada, e de repente vem a falecer. Na grande maioria das vezes, essas mortes estão relacionadas a causas cardíacas, como infarto ou arritmias”, explicou.

Dr. Sérgio ressaltou que um dos grandes desafios da morte súbita é que, muitas vezes, ela não apresenta sintomas prévios.
“A morte súbita, muitas vezes, não avisa. A pessoa se sente bem, pratica atividade física, se alimenta bem, e mesmo assim pode ter um evento fatal”, afirmou.
Entre as principais causas estão doenças estruturais do coração, muitas delas congênitas.
“Existem pessoas que nascem com alterações cardíacas e nunca fizeram um eletrocardiograma, porque nunca sentiram nada”, alertou.
Um exemplo citado foi a Síndrome de Brugada, condição detectável por meio de exames simples.
“Quando identificamos essa síndrome no eletrocardiograma, não tratamos a doença em si, mas prevenimos a morte súbita”, explicou. Nesses casos, o tratamento pode envolver o implante de um CDI (cardiodesfibrilador implantável).
“Esse dispositivo detecta a arritmia e aplica um choque interno, reiniciando o coração e salvando a vida do paciente”, destacou o cardiologista.
Outro ponto abordado foi a relação entre infarto e morte súbita. De acordo com o especialista, muitos casos poderiam ser evitados com acompanhamento médico adequado.
“Se o paciente faz exames periódicos, é possível identificar artérias com alto grau de obstrução e realizar procedimentos como a angioplastia, evitando um desfecho fatal”, afirmou.
Dr. Sérgio relatou um caso atendido em seu consultório. “O paciente chegou com dor no peito irradiando para a mandíbula. Encaminhei imediatamente para a UTI, onde foi identificado quase 100% de obstrução de uma artéria. Se não tivesse procurado ajuda, poderia ter sofrido uma parada cardíaca a qualquer momento”, contou.
O cardiologista também chamou atenção para o fator genético. “A história familiar influencia muito. Se um pai ou mãe teve morte súbita ou infarto precoce, os filhos precisam redobrar a atenção e fazer avaliações regulares”, orientou.
Doenças como a miocardiopatia hipertrófica, por exemplo, podem ser hereditárias. “Conhecer a genética da família é fundamental para prevenir mortes súbitas”, reforçou.
Apesar de muitos associarem a morte súbita à prática esportiva, Dr. Sérgio desmistifica essa ideia.
“A morte súbita pode acontecer a qualquer momento, não está diretamente ligada ao exercício. O problema geralmente já existe antes”, explicou.
Ele ressalta, no entanto, que exageros devem ser evitados. “Levar o corpo ao extremo, sem avaliação médica, pode aumentar o risco. Além disso, alterações como perda de potássio durante atividades intensas podem desencadear arritmias”, pontuou.
O cardiologista deixou um recado direto aos ouvintes. “Façam check-up regularmente. Exames simples como eletrocardiograma, ecocardiograma e teste ergométrico podem salvar muitas vidas”, destacou.
Dr. Sérgio Rocha também compartilha informações de saúde cardiovascular nas redes sociais. “Quem quiser pode me acompanhar no Instagram, no perfil @dr.sergiorochacardio, onde trago conteúdos educativos sobre cardiologia”, concluiu.
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