Invasão da Rocinha expõe proximidade entre facções rivais



Relação de Nem com quadrilha da Maré deixa Rogério 157 sem apoio









Traficante Nem da Rocinha 


RIO - Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem da Rocinha, mantém, desde 2014, boas relações com uma facção rival. Um dos chefões da Amigos dos Amigos (ADA), Nem já chegou a trocar armas com Marcelo Santos das Dores, o Menor P, chefe do tráfico no Complexo da Maré, dominado pelo Terceiro Comando Puro (TCP). A proximidade entre as facções influenciou a invasão na Rocinha: Rogério Avelino da Silva, o Rogério 157, ex-segurança e desafeto de Nem, tentou se aproximar do TCP. Não encontrou portas abertas. A facção negou-se a abrigá-lo.

Isolado, ele passou a se esconder na mata fechada da Floresta da Tijuca, na parte alta da favela. A recusa em aceitá-lo não foi à toa: TCP e ADA costuram, desde o início deste ano, um acordo de não agressão em algumas favelas. Tanto que no último domingo, ao deixar a Rocinha — após a ordem de Rogério 157 —, a mulher de Nem, Danúbia de Souza Rangel, buscou abrigo numa comunidade dominada pelo TCP.

E não foi só Danúbia que fugiu para uma área dominada pelo TCP. Um dos suspeitos de ter integrado o bando que, a mando de Nem, invadiu a Rocinha, Geovane Silva de Lima, buscou abrigo em Acari. Na última quinta-feira, acabou capturado por policiais civis.
 O pacto entre as facções também ficou claro nas vielas do Morro do Juramento, em Vicente de Carvalho, no fim de semana passado. Na noite de sexta-feira, um bando de traficantes de diversas favelas dominadas pelo Comando Vermelho (CV) — Complexo do Lins, Jorge Turco e Juramentinho, na Zona Norte — invadiu a favela, controlada pela ADA há dois anos. A incursão deixou sete corpos no chão. Bruno Alberto Botelho Jaccoud, de 30 anos, o Palmito, chefe do tráfico na comunidade, foi uma das vítimas.

ACORDO NOS PRESÍDIOS

Para retomar o Juramento, a ADA recorreu a seus novos aliados. Na noite de sábado, bandidos da Serrinha, dominada pelo TCP, subiram a favela para expulsar definitivamente o CV. Policiais civis que investigam o tráfico na favela contam que, ali, a parceria se deve à boa relação que Palmito tinha com Wallace de Brito Trindade, o Lacosta, chefe do tráfico na Serrinha.

Em Bangu, o pacto de não agressão foi costurado na cadeia. Celso Luís Rodrigues, o Celsinho da Vila Vintém, chefão da ADA, e Rafael Alves, o Peixe da Vila Aliança, um dos nomes mais altos na hierarquia do TCP, decidiram que os tempos de guerra entre as duas facções no bairro da Zona Oeste acabaram. Os dois estão presos em unidades diferentes do Complexo de Gericinó.

A movimentação nos presídios também deixa claro o acordo. No complexo prisional, traficantes da ADA cumprem pena na Penitenciária Jonas Lopes de Carvalho, Bangu 4. Já os detentos do TCP estão na Penitenciária Lemos de Brito, Bangu 6. Pelo menos um traficante da ADA já pediu para ficar entre os presos da facção rival. Carlos José da Silva Fernandes, o Arafat, chefe do tráfico da Pedreira, está na Penitenciária Laércio da Costa Pellegrino, Bangu 1, de segurança máxima. Ele já pediu para, quando sair de lá, ir para Bangu 6.




 
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